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Síndrome do Impostor: o que é e como evitar

By EAD URCAMP   |    | 7 min de leitura
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A Síndrome do Impostor, mesmo não sendo reconhecida como um transtorno psicológico pela Organização Mundial da Saúde (OMS), acomete diversas pessoas ao redor do mundo.

Os indivíduos que sofrem com essa síndrome costumam sentir-se uma “fraude”, sobretudo nas questões relacionadas a carreira profissional.

Além disso, alguns estudos apontam que a Síndrome do Impostor é uma das principais causas para o insucesso de profissionais no mercado de trabalho.

Segundo um estudo de psicologia desenvolvido na Universidade Dominicana da Califórnia, 70% das pessoas sofrem ou já sofreram com sentimentos impostores.

Algumas pesquisas recentes, no entanto, chamam a atenção para um viés mais positivo em relação a esse comportamento: pessoas com condutas “impostoras” podem ter maior empatia e facilidade no relacionamento interpessoal.

Entenda o que é a Síndrome do Impostor, como identificar, qual a sua relação com os estudos e com o trabalho, além de 5 dicas para evitar o problema.

Neste artigo você vai conferir:

O que é Síndrome do Impostor?
Como identificar?
A relação da Síndrome do Impostor com os estudos e a carreira profissional
Dicas para evitar o problema
Conclusão

Homem olhando para baixo com as duas mãos no rosto.

O que é Síndrome do Impostor?

A Síndrome do Impostor é um desvio psicológico caracterizado por alguns comportamentos pessimistas em relação a si e suas conquistas.

O termo foi utilizado pela primeira vez em um estudo de 1978, realizado pelas psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes, na Universidade Dominicana da Califórnia, chamado “The Impostor Phenomenon in High Achieving Women: Dynamics and Therapeutic Intervention” (O fenômeno do Impostor em mulheres bem sucedidas: dinâmicas e intervenções terapêuticas).

Neste estudo, as pesquisadoras entrevistaram 150 mulheres bem-sucedidas e constataram que 70% delas já haviam se sentido uma fraude no ambiente de trabalho. Desde então, muitas pesquisas têm sido desenvolvidas sobre o tema.

Apesar de ser um tema recorrente em pesquisas no campo da psicologia, a Síndrome do Impostor não possui uma Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID).

Isso não impede, contudo, que ela acometa milhares de pessoas ao redor do mundo, homens e mulheres de diferentes idades ou culturas.

Por terem traços muito fortes de insegurança e baixa autoestima, essas pessoas desenvolvem uma autopercepção de insuficiência ou incompetência para desenvolver atividades básicas nas quais possuem experiência ou qualificação.

É como se, independentemente do número de conquistas, títulos ou vitórias, o indivíduo continuasse acreditando que não é bom o suficiente, que não merece tais feitos ou que tudo o que já conquistou é obra da sorte e do destino.

Esse tipo de autopercepção é mais comum em pessoas com profissões mais competitivas como às ligadas ao esporte, onde são constantemente testadas e mais suscetíveis a críticas e falhas, gerando maior insegurança.

Também é uma síndrome muito comum em mulheres, devido a valores culturais impostos socialmente e que colocam atividades maternais e domésticas, por exemplo, como uma responsabilidade feminina.

Essa série de papeis perpassados pelo gênero fazem, inclusive, com que meninas a partir de 6 anos já se sintam menos capazes que os meninos para desenvolverem atividades, sobretudo aquelas ligadas às ciências exatas.

Isso faz com que, além dos compromissos profissionais, as mulheres também se cobrem por dar conta de cuidados com a família e a casa, assumindo duplas ou até mesmo triplas jornadas de trabalho.

A Síndrome do Impostor, portanto, mesmo possuindo um caráter pessoal e subjetivo, referente a características de personalidade, também é formada por diversos fatores externos (sociais, históricos e culturais) que influenciam no seu desenvolvimento.

Essa síndrome possui sintomas muito semelhantes à outros transtornos, como ansiedade, estresse, baixo autoestima ou depressão, mas existem algumas particularidades que demandam atenção.

Quatro bolinhas amarelas representando os sentimentos humanos: tristeza, alegria, raiva e decepção.

Como identificar?

Não sabe como identificar se você está sofrendo com a Síndrome do Impostor ou não? Conheça alguns dos sintomas mais comuns:

Sentimento de não pertencimento

As pessoas que sofrem com essa síndrome costumam não se sentir pertencentes aos lugares que frequentam, seja por uma sensação de não se adequar, não estar à altura de frequentar determinado espaço ou simplesmente por acreditar não merecer estar ali.

Além disso, também, pelos menos sentimentos, costumam se isolar de grupos sociais, seja da família, amigos ou trabalho.

Procrastinação

A procrastinação, ou seja, deixar sempre tudo para a última hora, também é uma característica que acompanha os indivíduos com essa síndrome, muitas vezes causada pela insegurança e pelo questionamento sobre suas próprias capacidades para desenvolver as atividades.

Com o objetivo de evitar falhas, a procrastinação também é acionada, já que com o adiamento de tarefas importantes as críticas serão pouco prováveis.

Autossabotagem

Outra característica comum dessas pessoas é a autossabotagem. Na prática, isso significa que elas criam estratégias para fugir de situações e experiências em que não se sentem seguras.

Para os que sofrem com a Síndrome do Impostor, há uma tendência de se esforçarem menos em atividades importantes, pois acreditam que, independentemente do esforço, estarão fadados ao fracasso.

No entanto, mesmo com insegurança, muitas vezes essas pessoas têm total qualificação ou potencial para viver essas situações, e, em função da autossabotagem, acabam perdendo boas oportunidades de desenvolvimento pessoal ou profissional.

Autocrítica excessiva

Quem convive com essa síndrome costuma se criticar e se depreciar excessivamente, pois acredita que seus defeitos são mais evidentes que suas qualidades e que nunca nada do que faz está suficientemente bom.

Ao fazer avaliações sobre suas ações com uma régua fora da realidade, essas pessoas acreditam que estão sempre cometendo erros, por isso se punem o tempo todo.

Comparação

Justamente por serem excessivamente autocríticos e inseguros, quando os indivíduos têm traços dessa síndrome ficam se comparando com pessoas próximas, sempre enxergando no outro qualidades e em si, defeitos.

Necessidade de agradar

O perfeccionismo é outra característica da Síndrome do Impostor: para evitar críticas ou qualquer tipo de situação vista como um fracasso, o sujeito se cobra a fazer tudo perfeito e muitas vezes se sacrifica para isso.

Além disso, por terem um instinto que busca aprovação, esses indivíduos querem agradar todos a todo instante, se sujeitando, muitas vezes, a situações humilhantes.

A relação da Síndrome do Impostor com os estudos e a carreira profissional

A Síndrome do Impostor é muito comum em ambientes profissionais ou universitários, justamente por serem espaços onde é preciso se destacar e onde, na mesma medida, ocorrem comparações, seja por gestores ou professores.

São, portanto, ambientes propensos ao desenvolvimento desses comportamentos em profissionais ou alunos.

Mas essas características inerentes a síndrome não são de todo mal!

Uma pesquisa realizada por Basima Tewfik, professora assistente de Estudos de Trabalho e Organização no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, constatou que as inseguranças podem, muitas vezes, destacar os profissionais em relação a qualidade do serviço que entregam.

Isso acontece porque, ao tentar vencer as inadequações que acreditam ter dentro do ambiente de trabalho, esses funcionários tendem a se dedicar mais, influenciando em um melhor desempenho.

Além disso, segundo a pesquisadora, esses colaboradores demonstraram ser mais eficazes interpessoalmente e mais cooperativos e empáticos do que aqueles que não tinham nenhum comportamento impostor.

Até então, as pesquisas sobre o tema apontavam que a condição da síndrome gerava uma conduta debilitante, atrapalhando o sucesso dessas pessoas nas suas respectivas carreiras.

Com essa nova pesquisa, há uma nova visão sobre a síndrome, tendo em vista a possibilidade de transformar as inseguranças dessas pessoas em um tipo de impulsionamento para o desenvolvimento profissional.

Dois homens sentados à beira de um lago conversando.

Dicas para evitar o problema

Mesmo que haja um enfoque mais positivo sobre os efeitos da Síndrome do Impostor no âmbito profissional, conviver com essas características de comportamento pode ser bem frustrante.

Por isso, anote algumas dicas que podem ajudar a superar o problema:

🥼Busque ajuda de um especialista: se você identificou que tem três ou mais dos comportamentos indicados acima, a melhor coisa a se fazer é procurar pelo auxílio de um psicólogo. Esse profissional ajudará você a entender o que gera esses comportamentos e, consequentemente, a lidar com eles.

👥Construa uma rede de apoio: você também pode compartilhar suas angústias com amigos e, sempre que necessário, pedir ajuda a eles quando achar que está se sacrificando demais para atingir um resultado ou desenvolver uma atividade simples. Essa rede de apoio poderá lhe ajudar a enxergar as situações com mais clareza e racionalidade.

🧠Respeite as suas limitações: aceite que todos possuem qualidades e defeitos e que ninguém é perfeito. Tendo isso em vista, respeite seus limites, não crie metas inalcançáveis ou se comprometa com atividades que não pode ou não quer cumprir.

📑Faça uma lista com tudo o que você já conquistou: as pessoas com Síndrome do Impostor costumam não reconhecer as suas vitórias. Por isso, faça uma lista com todas as suas conquistas, das mais simples às mais importantes, e reconheça que todas elas são fruto do seu esforço e da sua competência, não da sorte ou acaso.

✨Separe um tempo para si: para evitar qualquer sintoma de estresse, ansiedade ou depressão, a coisa mais importante a fazer é se cuidar. Dormir bem, ter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios físicos são essenciais. Além disso, tire um tempinho para meditar ou fazer algum hobby.

Conclusão

Neste artigo você conferiu o que é a Síndrome do Impostor e alguns sinais que podem lhe ajudar a identificar se está enfrentando esse problema ou não.

Se você constantemente se sente uma fraude ou insuficiente, seja no trabalho ou na faculdade, provavelmente você está desenvolvendo sentimentos impostores.

Esse comportamento pode te incentivar a se doar mais, se esforçar e ser um melhor aluno ou profissional, mas também pode atrapalhar o seu desenvolvimento pelo medo de errar ou de não se adequar.

Por isso, coloque em prática as dicas que mostramos aqui!

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